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domingo, 15 de agosto de 2010

ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL

                                                                                                                          Luzineth Costa Oliveira

RESUMO
Esse artigo trata da alfabetização de crianças na Educação Infantil e seu significado. Ele aborda uma variedade de opiniões sobre a definição, os métodos, as práticas que são desenvolvidas no processo da alfabetização, pois, a polêmica sobre ensinar ou não as crianças a ler e a escrever já na Educação Infantil tem origem em pressupostos diferentes a respeito de várias questões. Entre elas: O que é alfabetização? Como se aprende a ler e escrever? O que é a escrita? Por isso um dos objetivos deste trabalho é de mostrar que o processo de alfabetização não acontece apenas a partir dos seis anos, mais já se inicia desde Educação Infantil, momento esse que tudo está se tornando mágico e cheio de descobertas para nossos pequenos e é nesse momento que o educador deverá estar atento, pois neste período a criança estará construindo o seu conhecimento e para tanto precisa de um ambiente que colabore para isso além das intervenções necessárias.

Palavras-chave: Alfabetização; Educação Infantil; Crianças; Métodos.


INTRODUÇÃO

A alfabetização se inicia a partir do contato da criança com o mundo da escrita e da leitura, desde a marca da bolacha preferida ao brinquedo da moda e são através dessas situações concretas e significativas que o ler e o escrever torna-se uma necessidade para a criança, pois tem o desejo de desvendar o mondo a sua volta.
  Este estudo mostra que é na pré-escola que a criança através dos conteúdos básicos: oralidade e linguagem escrita desenvolvem seu processo de alfabetização devido à vida do cotidiano está repleta de oportunidades e situações de leitura. 
 O grande desafio da educação é os educadores organizar as estratégias de alfabetização mediante o acompanhamento e registro de etapas alcançadas nos cuidados das crianças, pois são elas que são o sujeito do conhecimento, ou seja, a partir de hipóteses que adquiri em relacionar-se com o meio, elas buscam compreender a leitura e a escrita.
O problema é que nos dias atuais, as escolas de Educação Infantil, a alfabetização é vista de uma forma diferenciada dos anos anteriores, devidos a trabalhos que não são realizados nas mesmas, principalmente em creches, em que as atividades pedagógicas, são deixadas de lado ou muitas vezes são realizadas sem intencionalidade.
São inúmeras as vantagens no processo de alfabetização, porque nos dias atuais temos mais profissionais qualificados para trabalharem com essas crianças e também materiais tanto pedagógicos como de recreação em que os profissionais possa se orientar para desenvolver um bom trabalho com esses pequenos.
A alfabetização quando desenvolvida em um conjunto de situações de usos reais de leitura e escrita nas quais às crianças tem oportunidade de participar, então pode se dizer que há um ambiente alfabetizador.
         Acreditamos que a alfabetização tem seus níveis de evolução e métodos que facilita a aprendizagem, por isso é importante que os educadores compreendam e respeitem os níveis de desenvolvimento de cada um, pois há crianças que esse processo tem início muito cedo, desde os primeiros anos, nesse caso a criança adquiriu experiências para seu desenvolvimento cognitivo envolvendo sua aprendizagem não há idade para se alfabetizar, desde que se respeite o tempo de cada criança.
          As vantagens e desvantagens assim como os desafios para a alfabetização, à evolução da escrita e os métodos de alfabetização é o nosso foco para o trabalho de pesquisa que estamos realizando.
           Esse trabalho de pesquisa mostra que não há uma exigência da criança ser alfabetizada na Educação Infantil, mas mesmo assim, todos os aspectos envolvidos no processo de alfabetização devem ser considerados. Os métodos e práticas que envolvem a alfabetização devem ser compreendidos como referências que permitem a análise do seu avanço ao longo do processo.
            Procuramos analisar as seguintes questões:
            O que é alfabetização? Alguns educadores acham que é a aquisição do sistema alfabético de escrita; outros, um processo pelo qual a pessoa se torna capaz de ler, compreender o texto e se expressar por escrito.
            Como se aprende a ler e escrever? Pode ser uma aprendizagem de natureza perceptual e motora ou de natureza conceitual. O ensino, no primeiro caso, pode estar baseado no reconhecimento e na cópia de letras, sílabas e palavras. No segundo, no planejamento intencional de práticas sociais mediadas pela escrita, para que as crianças delas participem e recebam informações contextualizadas.
            O que é a escrita? Há quem defenda ser um simples código de transcrição da fala e os que acreditam ser ela um sistema de representação da linguagem, um objeto social complexo com diferentes usos e funções.
            Por causa dessas diferentes hipóteses, tivemos receio de antecipar as práticas pedagógicas tradicionais do Ensino Fundamental antes dos 6 anos  e a perda do lúdico. Como se a escrita entrasse por uma porta e as atividades com outras linguagens (música, brincadeira, desenho etc.) saíssem por outra. Por outro lado, há quem valorize a presença da cultura escrita na Educação Infantil por entender que para o processo de alfabetização é importante a criança ter familiaridade com o mundo dos textos.


1 ALFABETIZAÇÃO NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Entre as profissionais de educação infantil, é muito comum o debate sobre se devemos ou não alfabetizar as crianças. Algumas pessoas defendem que sim e outras que não, mas considerando que as crianças do meio urbano vivem em um ambiente no qual a palavra escrita está presente por toda parte, talvez essa não seja a questão mais importante. Da mesma forma como a leitura e a escrita estão presentes no mundo, tais atividades também estão presentes na vida das crianças, que criam suas hipóteses sobre esse complicado sistema de comunicação.
Considerando que as crianças aprendem por si nas diversas interações em que experimentam com os livros, com seus pares, com aqueles que lhes contam histórias, a principal questão que se coloca para as instituições de educação infantil é como possibilitar e estimular o contato das crianças com a escrita, contribuindo assim para a formação de leitores.
Segundo Chartier (1999, p.77) “Toda história da leitura supões, em seu princípio, esta liberdade do leitor, que desloca e subverte aquilo que o livro lhe pretende impor”.
De acordo com os Referenciais Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (RCN/EI), publicados pelo MEC em 1998, a aprendizagem da linguagem escrita é “um processo de construção de conhecimento pelas crianças por meio de práticas que tem como ponto de partida e de chegada o uso da linguagem e a participação nas diversas práticas sociais de escrita”. Aponta ainda que “as instituições e profissionais de educação infantil deverão organizar sua prática de forma a promover as seguintes capacidades nas crianças:

(...) interessar-se pela leitura de histórias; familiarizar-se aos poucos com a escrita por meio da participação em situações nas quais ela se faz necessária e do contato cotidiano com livros, revistas, histórias em quadrinhos, etc” (Brasil/MEC, 1998, v.3, p. 122 e 131).

A educação infantil não precisa se preocupar tanto com a alfabetização em si, mas sim estar mais atenta em oferecer para as crianças possibilidades de interagir com livros, cultivar e exercer práticas sociais que envolvam a leitura. Devemos buscar iniciar as crianças com as quais trabalhamos num processo de letramento tal como define Soares (2003) e para isso, é importante que haja material de leitura disponível e que a rotina das crianças preveja diversos momentos de leitura.
Abramowicz e Wajskop (1999, p. 63) diz que:


Muitas vezes as crianças da cidade encontram alguém que lhes conta uma história, ou um conto de um livro. Imediatamente começa uma longa viagem: de afetos, de surpresas, de imaginação. Cada frase dita é fantasiada e, quando menos se percebe, as crianças estão imersas e impregnadas nesse mundo que no princípio, parecia apenas ser feito de letras impressas em um papel para serem decifradas. Mas ao ouvir as histórias, as crianças influem que a escrita é muito mais do que isso, que letras, às vezes servem apenas para ocultar ou esconder a surpresa que está por vir. (ABRAMOWICZ e WAJSKOP, 1999, p.63)


A variedade de livros disponíveis no mercado adequados para a faixa etária de 0 a 6 anos é imensa. Esses materiais podem ajudar no processo de letramento e favorecer a inserção da criança na cultura escrita; mas se o orçamento da escola for restrito, ou os livros disponíveis forem pouco adequados, é possível que o professor crie seu próprio acervo literário com a ajuda das crianças. O importante é criarmos possibilidades para que a criança constitua-se como leitora e explore o mundo da escrita, criando suas hipóteses de leitura. Assim, o desenvolvimento da escrita derivará dessa imersão no universo letrado e do desejo de comunicar algo.

2 A IMPORTANCIA DA LINGUAGEM ORAL E ESCRITANA EDUCAÇÃO INFANTIL

            Desde muito cedo as crianças estão inseridas em ambientes que exigem delas diferentes formas de comunicação, a primeira elas e a principal é a Linguagem Oral para se comunicar quer seja em situações informais ou mesmo em situações formais nas instituições que elas vêem a freqüentar: as escolas de educação infantil. É nesse ambiente, na interação com crianças de sua faixa etária e com os profissionais dessa área que a criança enriquece seu repertório de palavras e ações, gestos e comportamentos muitas vezes utilizados para resolver os problemas que surgem no dia-a-dia. Porém, a ampliação desse repertório falado pela criança, não se resume apenas na memorização e repetição de sons e palavras; há na verdade uma aprendizagem articulada entre pensamentos e ações, quando as crianças reproduzem.
            A marca constante da criança na fase pré-escolar é a busca por uma regularidade que explique os fatos que acontecem à sua volta, a fim dela conseguir manter um padrão comportamental de respostas àquilo que lhe é exigido. Então a criança passa a se expressar com mais precisão seus desejos e necessidades e sua capacidade comunicativa se amplia.
            Ferreiro (1995, p.19) salienta que a escrita infantil segue uma regularidade na sua aquisição observada em diferentes culturas e diversas línguas. Observa ainda grandes períodos em que as crianças permanecem em conflito quanto à hipótese de regularidade sustentada. Inicialmente as crianças fazem uma distinção entre o modo de representação icônico e não-icônico; logo constroem formas de diferenciação entre quais e quantas letras; e finalmente chegam a fonetização da escrita que se inicia com a fase pré-silábica, na qual já há preocupação em usar símbolos (letras e números indiscriminalmente), culminando na fase ortográfica, na qual se preocupam em escrever ortograficamente dentro de sua língua materna.
            Já Vigotski (200) diz que o desenvolvimento da escrita não repete o desenvolvimento da fala. A representação escrita da nossa Linguagem Oral difere-se tanto na estrutura como no seu funcionamento. Para que haja o seu mínimo desenvolvimento há necessidade da criança atingir um alto nível de abstração. Na aquisição da Linguagem Escrita  é preciso que a criança substitua as palavras por imagens que as representem.
            Este fato também é observado por Fonseca (1997) que estudando Golbert (1988), salienta que a criança tem que antes de ler e de escrever ser capaz de desenvolver em seu repertório a noção de símbolo, discriminação das formas das letras e dos sons da fala. Por isso, esse processo de construção da Linguagem Escrita ser um resultado de um complexo por parte da criança e dos adultos que estão à sua volta.
            Nesse processo, Ferreiro (1995) sugere que as crianças vão elaborando hipóteses sobre a escrita a que são expostas dentro de uma mesma faixa etária e conforme é sua relação do grupo social a que pertence com a própria escrita. Na construção de sua escrita, as crianças cometem erros que na verdade são formas dela testar a funcionalidade daquela resposta gráfica, perante a comunidade que pertence. Já Fonseca (1997) analisa tais erros como sendo o comportamento apresentado frente um determinado estímulo, mas este, no entanto, foi mal elaborado para a apresentação à criança, o que o torna irrelevante. Daí a importância dos professores conhecerem o modo como a criança elabora o seu pensar nesse momento, ou mesmo, saber analisar o erro da criança, identificando em função de que aquela resposta incorreta ocorreu, para que possa, assim, planejar situações de aprendizagem e intervenções adequadas que as permitam avançar dentro de suas hipóteses sobre a escrita da Linguagem.


3 MÉTODOS DE ALFABETIZAÇÃO

            Pesquisas evidenciam que a questão do método é objeto de estudo em todas as décadas, (A alfabetização estava sim, em busca de um método). A pergunta que hoje se coloca, voltava-se para qual o melhor método para alfabetizar?
            Em um passado já distante, a soletração; depois, a silabação, ou a palavração, a sentenciação, o método global. De forma mais abrangente, o caminho da parte para o todo (da sílaba à palavra, à sentença, ao conto ou ao texto), isto é, o caminho em direção a síntese - os métodos sintéticos; ou o caminho do todo para a parte (do conto ou texto à sentença, à palavra, à sílaba, à letra), isto é, o caminho em direção a análise – os métodos analíticos; ou ainda a alternância entre a parte e o todo – os métodos analítico-sintéticos, ou ecléticos.       
            FREIRE (1960) apresentou uma proposta de alfabetização que rompeu com muitos aspectos constitutivos dos métodos tradicionais de alfabetização – Capítulo 4 de Educação como prática de liberdade apresenta em notas de rodapé, classificações de métodos de alfabetização e se inclui entre aqueles que propõem um “método eclético”, que abarca (...) a síntese e a análise, propiciando o analítico-sintético. (...) Paulo Freire criou, segundo SOARES (2004), uma concepção de alfabetização, como meio de democratização da cultura, como oportunidade de reflexão sobre o mundo e a posição e o lugar do homem, no quadro de uma também concepção de educação como prática de liberdade, como conscientização.
SOARES (2004) explica que nos últimos anos ocorreu uma radical mudança de paradigma em relação ao processo de alfabetização. Pesquisas sobre a produção acadêmica e científica a respeito da alfabetização mostram uma predominância da psicologia. Entretanto são vários os eixos epistemológicos subjacentes às concepções psicológicas. Numa perspectiva histórica, ao analisar estes eixos, verifica-se por um lado, a persistência do associacionismo ao longo do tempo, mas também se constata uma presença forte da psicologia genética nos anos 80.
A tendência Associacionista predominou nas décadas de 50, 60, e, sobretudo na década de 70, quando a vertente skinneriana dessa tendência exercia grande influencia no ensino brasileiro. Na perspectiva associacionista, o método é fator essencial do processo de aprendizagem da língua escrita, porque é considerado determinante dessa aprendizagem. “Déficit de aprendizagem estava relacionado a prontidão para aprender” - ênfase no período preparatório, e nos testes de prontidão.
A concepção psicogenética, deslocando o eixo de compreensão e interpretação do processo pela qual a criança aprende a ler e a escrever, trouxe uma severa crítica à importância que vinha sendo atribuída ao método de alfabetização – ruptura de paradigma.

            Soares(2004, p. 89) ainda diz que:


... a concepção psicogenética alterou profundamente a concepção do processo de aquisição da língua escrita, em aspectos fundamentais: a criança, de aprendiz dependente de estímulos externos para produzir respostas que, reforçadas, conduziriam à aquisição da língua escrita – concepção básica dos métodos tradicionais de alfabetização – passa a sujeito ativo capaz de construir o conhecimento da língua escrita, interagindo com esse objeto de conhecimento; os chamados pré-requisitos para a aprendizagem da escrita, que caracterizariam a criança “pronta” ou “madura” para ser alfabetizada – pressuposto dos métodos tradicionais de alfabetização – são negados por uma visão interacionista que rejeita uma ordem hierárquica de habilidades, afirmando que a aprendizagem se da por uma progressiva construção de estruturas cognitivas, na relação da criança com objeto “língua escrita’; As dificuldades da criança, no processo de aprendizagem da língua escrita – consideradas “deficiências” ou “disfunções”, na perspectiva dos métodos tradicionais – passam a ser vistos como “erros construtivos”, resultado de constantes reestruturações, no processo de construção do conhecimento da língua.


FERREIRO & TEBEROSKY (1980), com a “psicogênese da língua escrita”, defenderam uma concepção de língua escrita como um sistema de notação, que no nosso caso, é alfabético. Constatação de que os alunos precisariam compreender como este sistema funciona, descobrisse o que a escrita notava entender que o que a escrita alfabética notava no papel eram os sons das partes orais das palavras e que o fazia considerando segmentos sonoros menores que a sílaba (reconhecimento dos fonemas).
            A teoria psicogenética pregava a necessidade de possibilitar que os alfabetizandos se apropriassem do sistema de escrita alfabético a partir da interação com diferentes textos escritos em atividades significativas de leitura e produção de textos (conceito de letramento, difundido por SOARES, 1990).
É em decorrência dessas mudanças conceituais que segundo SOARES (2004) o método passa a ser questionado: são concepções diametralmente conflitantes do processo de aquisição da língua escrita que estão em jogo. Na concepção associacionista o método é fator determinante; na concepção psicogenética, o aprendiz é o centro do processo.
            Então porque a dúvida? Se aí está a teoria Psicogenética, a demonstrar que a criança é que aprende a ler e a escrever, não é o método que ensina a ler e a escrever? SOARES (2004), explica que a razão de estarmos nos perguntando a respeito de um método de alfabetização, está na teologia que a escola e conseqüentemente a prática pedagógica nos impõe.  A escola delimita os conteúdos culturais a serem transmitido, homogeneíza, sistematiza e codifica os conteúdos culturais selecionados. Fixa a duração do tempo em que deve ocorrer a apropriação de cada um desses conteúdos selecionado e avalia o nível de realização dessa apropriação em momentos preestabelecidos. (p.90/91)
            SOARES (2004), afirma que estamos sim em busca de um método de alfabetização, porém explica que não de um método ortodoxo, sinônimo de manual, de artefato pedagógico que tudo prevê e que transforma o ensino em uma aplicação rotineira de procedimentos e técnicas.

...método da área do ensino é um conceito genérico sob o qual pode ser abrigado tantas alternativas quanto aos quadros conceituais existirem ou vierem a existir... No campo das línguas, um método é a soma de ações baseadas em um conjunto coerente de princípios e hipóteses psicológicas, lingüísticas, pedagógicas, que respondem a objetivos determinados. Em alfabetização o método será, pois, o resultado da determinação dos objetivos a atingir, (conceitos, habilidades, atitudes caracterizarão a pessoa alfabetizada), da opção por certos paradigmas conceituais (psicológico, lingüístico, pedagógico), da definição enfim, de ações, procedimentos, técnicas compatíveis com os objetivos visados e as opções teóricas assumidas.

           
            Essa concepção de método não é incompatível com um paradigma conceitual psicogenético e método de alfabetização. Emilia Ferreiro e Ana Teberosky, quando criticam, em sua obra Psicogênese da Língua Escrita (FERREIRO & TEBEROSKY, 1985), métodos de alfabetização, referem-se “aos métodos tradicionais”, rejeitam as proposições metodológicas tributarias de concepções empiristas da aprendizagem (p. 277), mas não negam a possibilidade do método. No que diz respeito à discussão sobre os métodos, afirmam (...) que essa querela é insolúvel, a menos que conheçamos quais sãos os processos de aprendizagem do sujeito, processos que tal ou qual metodologia pode favorecer estimular ou bloquear. (p.26)
            Assim como FERREIRO & TEBEROSKY, outros autores – GOODMAN (1990), CARDOSO (1989), GROSSI (1990), compactuam da necessidade do educador “encontrar” um método de alfabetização. SOARES (2004) complementa afirmando que é preciso não ter medo do método; diante do assustador fracasso escolar, na área da alfabetização, em nosso país, estamos sim, em busca de um método, tenhamos coragem de afirmá-lo.
            Mas de um método no conceito verdadeiro desse termo: método que seja o resultado da determinação clara de objetivos definidores dos conceitos, habilidades, atitudes que caracterizam a pessoa alfabetizada numa perspectiva psicológica, lingüística e, sobretudo social e política; que seja ainda o resultado da opção pelos paradigmas conceituais (psicológicos, lingüísticos, pedagógicos) que trouxeram uma nova concepção dos processos de aprendizagem da língua escrita pela criança, compreendendo esta como sujeito ativo que constrói o conhecimento, e não um ser passivo que responde a estímulos externos.
             Segundo SOARES (2004, p. 96), sem preposições metodológicas claras, corremos o risco de ampliar o fracasso escolar, ou porque rejeitamos os tradicionais métodos, em nome de uma concepção da aprendizagem da escrita e da leitura, sem orientar os professores na “tradução” dos resultados gerados pelas pesquisas em uma prática renovada da sala de aula. Ou porque não saberemos resolver o conflito entre uma concepção construtivista da alfabetização e a ortodoxia da escola, ou, finalmente porque podemos incorrer no espontâneísmo, considerando, por falta de suficiente formação teórica, qualquer atividade como atividade intelectual, e qualquer conflito como conflito cognitivo.  “Não temos o direito de submeter, mais uma vez, as crianças brasileiras a tentativas fracassadas de lhes dar acesso ao mundo da escrita”.
            Os Parâmetros Curriculares Nacionais, a Escola Ciclada de Mato Grosso, A proposta pedagógica do Brasil alfabetizado: alfabetizar sem o uso dos “padrões silábicos” parte-se da idéia de que a alfabetização deva ultrapassar o simples ler e escrever e conduzir a outras práticas sociais, imprimindo novas relações, conhecimentos, formas de linguagem e bens culturais. Nessa perspectiva, os alunos precisam ser envolvidos em situações concretas de produção de significados, seja na leitura, seja na produção de textos. As mudanças nas práticas dos professores não são frutos de uma aplicação direta da teoria na prática, mas se relacionam a um processo de produção/fabricação de saberes na ação, para o qual concorrem vários aspectos.
            No entanto, apesar dos avanços, uma boa parte dos professores alfabetizadores ainda lança mão de muitos aspectos tradicionais para ensinarem o sistema de escrita alfabético.
            Vivemos na chamada “Sociedade do Conhecimento”, na qual a linguagem é fundamental para que se possa trabalhar e exercer a cidadania. Assim, acreditamos que o investimento na formação teórica e prática dos futuros professores é um dos elementos fundamentais na reversão do quadro educacional dramático que hoje presenciamos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
            Esta pesquisa bibliográfica possibilitou nos ter uma compreensão mais aprofundada sobre o tema, mostrando como ocorre a alfabetização e como nós, educadores podemos facilitá-la, ou melhor, intervir de maneira correta.
            Procurou-se mostrar também as várias definições de linguagem oral e escrita e percebemos que uma completa a outra.
           Podemos dizer que é na Educação Infantil que a criança cria o gosto pela leitura de forma natural, pois aprende sem ter a obrigação de ensinar a ler e escrever, mas sim criar situações para a criança através de sua interação com o meio busque hipóteses, sobre a leitura e a escrita.
            Analisa-se também que o ambiente é de fundamental importância, pois o mesmo deve ser adequado ao nível das crianças e claro com a intervenção do professor.
            Estamos certas que não há idade para alfabetizar uma criança, pois as nossas pesquisas perceberam que em uma classe de crianças com a mesma idade, podemos encontrar crianças com variados níveis de aprendizagem. Verificamos que a criança independente de qualquer método, processo ou prática que foi usada para sua alfabetização, na verdade o que importa é que ela esteja pronta e preparada para enfrentar esses desafios.
         Portanto na finalização desse artigo, percebemos o quanto foi enriquecedor e nos deu grande embasamento para tratar sobre o assunto da “alfabetização de crianças na Educação Infantil.




REFERÊNCIAS

ABRAMOWICZ, A. e WAJSKOP, G. Leitura e escrita in: Educação infantil: Creches: Atividades para crianças de zero a seis anos. São Paulo: Moderna, 1999.

ALMEIDA, P.N.de. A Ciência e a arte da alfabetização. São Paulo:Saraiva,1985.

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BARBOSA J J.Alfabetização e Leitura.São Paulo: Cortez,1997.

BELLES, Rosa M. O que as crianças pequenas sabem sobre a escrita? In PEREZ, Francisco Carvajal. GARCIA Joaquim Ramos (ufrgs) Ensinar ou aprender a ler e escrever? Porto Alegre, Artmed, 2001.

BRASIL/MEC. Secretaria de Educação Fundamental. Referencial Cricular urNacional para a Educação Infantil. Brasília: MEC/SEF, 1998.

BRITO, Maria Celina, (coura).O espaço pedagógico na pré-escola. Porto Alegre. Mediação, 1995.

CHARTIER, R. O leitor entre limitações e liberdade in: A aventura do livro - do leitor ao navegador. Tradução Reginaldo de Moraes. - São Paulo: editora UNESP/  Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 1999.

CURSOS 24 HORAS, Educação Infantil; Disponível em: www.cursos24horas.com.br.Acesso em 13/06/2010.

FERREIRA, A.B.de H.Dicionário Aurélio Básico da Língua Portuguesa.Rio de Janeiro; Nova Fronteira ,1988.

FERREIRO, E; TEBEROSKI, A. Psicogenese da Língua Escrita. Porto Alegre, Artmed,1999.

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LIMA, A.F.S.de. Pré-Escola e Alfabetização:uma proposta baseada em Paulo Freire e Jean Piaget.11.ed.Petrópolis:Vozes,1999.

REVISTA Nova Escola, Ano XXII,nº 217,novembro 2008.São Paulo:Fundação Victor Civita. 

SOARES, M. O que é letramento e alfabetização. In: Letramento: Um tema em três gêneros. Belo Horizonte: Autêntica, 2003.

SOARES, Magda. Alfabetização e letramento. 2ª ed. São Paulo, ed. Contexto, 2004

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