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Queridos Amigos estou postando alguns textos, projetos e atividades que vivencio em sala de aula, espero que possa estar contribuindo. Beijos!!!

quinta-feira, 25 de março de 2010

RELATÓRIO DE ESTÁGIO DE OBSERVAÇÃO - Educação Infantil

ESTÁGIO DE OBSERVAÇÃO
Escola: xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Diretora: xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Coordenadora Pedagógica: xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Professora: xxxxxxxxxxxxxxxxxx
Auxiliar:xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Acadêmica: xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Disciplinas: Todas (Ensino por Atividade)
Turma: 2 anos
Data: 08/03/2010 a 12/03/2010
Carga Horária: xxxxxx

            Identidade
A construção da identidade se dá por meio das interações da criança com o seu meio social. Segundo o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, a identidade “é um conceito do qual faz parte a idéia de distinção, de uma marca de diferença entre as pessoas, a começar pelo nome. Seguido de todas as características físicas, de modo de agir e de pensar e da historia pessoal”.
A escola de Educação Infantil é um universo social diferente do da família, favorecendo novas interações, ampliando desta maneira seus conhecimentos a respeito de si e dos outros. A auto-imagem também é construída a partir das relações estabelecidas nos grupos em que a criança convive. Um ambiente farto em interações, que acolha as particularidades de cada indivíduo, promova o reconhecimento das diversidades, aceitando-as e respeitando-as, ao mesmo tempo em que contribui para a construção da unidade coletiva, favorece a estruturação da identidade, bem como de uma auto-imagem positiva. Nesse sentido:
o que na vida, na cognição e no ato designamos como objeto determinado, não recebe sua designação, seu rosto, senão através de nossa relação com ele: é nossa relação que determina o objeto e sua estrutura e não o contrário (Bakhtin, 1992a, p.26)

Tendo em vista estes propósitos, a utilização de fotos pode ser amplamente aproveitada pelo professor de educação infantil. Este recurso visual promove situações de interação, reconhecimento e construção da auto-imagem, favorece as trocas e a percepção do outro e, das igualdades e diferenças, e consequentemente, de si.
Sequência 1 : eu, eu e eu           
Numa roda, a professora distribuir caixinhas surpresa para as crianças com suas respectivas fotos dentro, de forma que abram e encontrem a sua imagem. Na sequência pede para as pede para cada criança colar nos cabides, onde ficam penduradas suas sacolas. Ficaram lá para que possam identificar o cabide onde guardarão suas sacolas.
Sequência 2: eu, tu, eles
A professora preparou um pequeno cartaz com janelinhas que abrem e fecha, uma sobre a outra, para cada criança (uma coluna, com espaço para quatro ou cinco fotos). Na janelinha de cima, colocou a foto de uma criança e fechou, de forma que a foto ficasse escondida. Pediu às crianças que abrissem as janelinhas para ver qual é o seu cartaz.
Sequência 3: nós e todo mundo
Para finalizar a atividade, a professora trouxe para sala cartazes e montou um biombo para sala, ou um grande mural, as quais as crianças terão acesso livre para verificar as fotos de suas janelinhas e as de seus colegas.


ESTÁGIO DE OBSERVAÇÃO
Escola: xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Diretora: xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Coordenadora Pedagógica: xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Professora: xxxxxxxxxxxxxxxxxx
Auxiliar:xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Acadêmica: xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Disciplinas: Todas (Ensino por Atividade)
Turma: 3 anos
Data: 15/03/2010 a 19/03/2010
Carga Horária: xxxxxx

Linguagem musical e expressão corporal – Expressividade e dança
Não há dúvida que as crianças pequenas adoram se movimentar. Elas vivem e demonstram seus estados afetivos com o corpo inteiro: se estão alegres, pulam, correm e brincam ruidosamente. Se estiverem tímidas ou tristes, encolhem-se e sua expressão corporal é reveladora do que sentem. Henri Wallon (1947) nos lembra que: “A criança pequena utiliza seus gestos e movimentos para apoiar seu pensamento, como se este se projetasse em suas posturas”. O movimento é uma linguagem, que comunica estados, sensações, idéias: o corpo fala, ou seja:
A dimensão expressiva do movimento engloba tanto as expressões e comunicação de idéias, sensações e sentimentos pessoais como as manifestações corporais que estão relacionadas com a cultura. A dança é uma das manifestações da cultura corporal dos diferentes grupos sociais que está intimamente associada ao desenvolvimento das capacidades expressivas das crianças (RECNEI. P.30. v. 03. 1997)
Assim, é importante que na Educação Infantil o professor possa organizar situações e atividades em que as crianças possam conhecer e valorizar as possibilidades expressivas do próprio corpo.
A professora juntamente com a auxiliar afasta as cadeiras e mesas do meio da sala para ocuparem o espaço. Pega alguns pedaços de tecidos (quadrados de 50x50 cm) e o aparelho de som
Todos os alunos tiram os calçados e os coloca num canto da sala.
Ela começa reunindo as crianças. A música que toca é: A Canoa Virou (Palavra Cantada, CD Cantigas de Roda). Sentados no chão numa grande roda, com as pernas estendidas, propôs as crianças que brincassem de massa de pés: todos chegaram para frente arrastando o bumbum até que os pés de todos se tocassem. Os pés se agitam se acariciam, ora mais lentamente, ora mais rapidamente.
Depois pediu que todos se deitassem no chão. Colocou uma música no aparelho de som com a música Loro (Egberto Gismonti, CD Circense).
Disse para as crianças que a sala vai se transformar numa grande floresta e todos será habitante dela...
 Todos os bichos estão dormindo. Aos poucos, vão acordar. Primeiro todos são aranhas, que andarão com o apoio dos pés e das mãos no chão...
Depois se transformaram em minhocas, arrastando-se pelo chão com a lateral do corpo...  Logo serão cobras, arrastando-se pelo chão com o apoio da barriga...
Tatus-bola, que com um movimento de abrir e fechar sua casca percorrerão a floresta... Leões, tigres, leopardos, de quatro patas pelo chão...
Coelhos que andam pelo espaço com pulos pequenos e cangurus que percorrem a floresta com pulos grandes e largos... Passarinhos que batem suas asas bem pequeninas e águias que voam lá do alto com suas asas enormes e bem abertas...
   Depois dessa etapa ela distribuiu para as crianças os pedaços de tecido coloridos, um para cada um, para que produzam movimento ao serem agitados pelas crianças. Sugeriu que as crianças pintassem a sala com os tecidos, como se fossem pincéis. A sala toda tem que ficar pintada o chão, as paredes, o teto. Lembra às crianças que nenhum pedaço da sala pode ficar sem pintar. Utiliza a música: Peixinhos do Mar (Milton Nascimento, CD Sentinela).
Sugeriu uma brincadeira para as crianças: pediu que jogassem os tecidos para cima e a os pegassem, a cada vez, com uma parte diferente do corpo:
- com a cabeça
- com a barriga
- com o braço
- com o cotovelo
- com os pés
- com as costas
- com o bumbum
- com as palmas das mãos etc.
Para terminar, um gostoso relaxamento. Música: Palhaço (Egberto Gismonti, CD Circense). Organizou as crianças em duplas e ofereceu a elas uma bolinha de algodão. Enquanto uma criança fica deitada, a outra deve acariciar seu rosto e partes do seu corpo com o algodão, com suavidade e cuidado, para possibilitar uma interação muito especial das crianças, que, assim, cuidam umas das outras após uma atividade movimentada.

ESTÁGIO DE OBSERVAÇÃO
Escola: xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Diretora: xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Coordenadora Pedagógica: xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Professora: xxxxxxxxxxxxxxxxxx
Auxiliar:xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Acadêmica: xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Disciplinas: Todas (Ensino por Atividade)
Turma: 4 anos
Data: 22/03/2010 a 26/03/2010
Carga Horária: xxxxxx

Natureza e sociedade – O ovo vira pinto
Muito freqüentemente, o trabalho com as ciências naturais, especialmente o estudo de seres vivos, está presente no trabalho de ciências com as crianças pequenas.
O ser humano, os outros animais e as plantas provocam bastante interesse e curiosidade nas crianças. Em função disso, o trabalho com os seres vivos e suas intricadas relações com o meio oferece inúmeras oportunidades de aprendizagem e de ampliação da compreensão que a criança tem sobre o mundo social e natural. (RECNEI. P. 188. V.03. 1997)
Estudar bichos, pesquisar aspectos como alimentação, habitat, reprodução e características externas, de forma geral, tem se mostrado a forma mais comum de organizar o trabalho realizado com as crianças. Por considerar que está forma de organização favorece pouco a investigação e o estimulo a atitude reflexiva e responsável para com a vida, os outros e a natureza, por pautar-se, muitas vezes no acúmulo de informação através da leitura e informações apresentadas pelo professor, se propõe nessa seqüência uma outra forma de organização do trabalho.
O trabalho com as ciências na escola, desde a educação infantil, cumpre o papel de socialização do saber, uma oportunidade de conhecer o mundo e suas representações de forma mais plural. A curiosidade é uma característica importante das crianças. Mola propulsora para aprendizagem, importante de ser considerada e tomada como condição na organização das situações propostas.
Tomar como objeto de estudo e investigação uma coisa que pode parecer banal e trivial do dia-a-dia das crianças, o ovo, possibilita, professor e aluno, analisar como os seres vivos se formam e se desenvolvem. Cabe ao professor, então organizar situações investigativas, escutar as crianças, analisar suas falas e idéias, considerando, entre outros aspectos, suas percepções e formas de expressar, procurando buscar a relação das, muitas vezes explicações fantasiosas, com o conteúdo tratado, dispor-se a penetrar na realidade fantástica das crianças. Assim diz Ausubel, Novak e Hanesian (1983) aquilo que o estudante já sabe é o fator mais importante para que a aprendizagem ocorra, devendo o professor identificar esse conteúdo antes de organizar as situações de ensino .Enfim, criar situações que estimulam a curiosidade, a interatividade, de forma que as crianças possam participar do processo de aprendizado pela observação, pela experimentação e pelo questionamento permanente.
A professora está trabalhando um projeto que tem como objeto de estudo o ovo. Nessa etapa de minha observação vi apenas algumas atividades do projeto. Hoje trouxe para a sala uma embalagem industrial de ovos, com alguns ovos vermelhos e brancos. Em roda, apresentou o que trouxe para as crianças e fez questionamentos que propiciaram uma reflexão sobre:
a)    onde se compra o produto;
b)    como que o produto vai parar no supermercado;
c)    antes de chegar ao supermercado onde estava e quem o leva para lá;
d)    do que é feito o ovo, quem faz e como é feito.
Após essa primeira conversa como estratégia de registro, ela anotou as idéias das crianças num cartaz, em forma de esquema/percurso - ovo - do supermercado até o local de origem, considerando todas as informações colocadas pelo grupo. “Depois propôs ao grupo estudar, pesquisar, as informações para descobrir - como o ovo vira pintinho”.
Apresentou o ovo branco e o vermelho para a roda afim de que fizessem a investigação e instigar o que elas sabem sobre: O ovo inteiro
a)    que informações têm sobre o que há no interior do ovo;
b)    se há diferença entre o conteúdo interno dos dois ovos;
c)    porquê as cascas são de cores diferentes (a cor da galinha influência a cor do ovo e a cor do ovo determina a cor do pintinho)
Analisando o ovo depois de quebrado
 a) se há diferenças entre os conteúdos dos dois ovos
b) o que há dentro do ovo (se sabem denominar as partes)
c) explorar texturas, consistência e cheiro
d) analisar a fragilidade da casca depois de quebrada
Após a atividade de análise ela propôs uma atividade de registro através de desenho em dupla. Cada dupla deverá discutir a forma como irão registrar.

Observação: Esse é um primeiro exercício de aproximação de registro científico. Registro científico é uma forma de registro que procura retratar uma planta, animal, paisagem com fidelidade. A combinação de diferentes formas de registro pode ser uma maneira de evidenciar informações importantes sobre um mesmo objeto de estudo. Oriente as crianças a procurarem registrar como se fossem produzir uma fotografia, podem usar cor para evidenciar as partes observadas.

ESTÁGIO DE OBSERVAÇÃO
Escola: xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Diretora: xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Coordenadora Pedagógica: xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Professora: xxxxxxxxxxxxxxxxxx
Auxiliar:xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Acadêmica: xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Disciplinas: Todas (Ensino por Atividade)
Turma: 5 anos
Data: 05/04/2010 a 09/04/2010
Carga Horária: xxxxxx

Leitura - Comparando diferentes versões de Chapeuzinho Vermelho

A presença regular de situações em que o professor lê livros de literatura para a turma é recomendável por uma série de motivos. Ao ter contato com essas obras, a criança pode apreciar a leitura; aproximar-se da linguagem desses textos; reconhecer características do portador; inteirar-se sobre o autor e identificar-se com personagens, além de construir critérios pessoais de escolha de suas histórias preferidas para compartilhá-las com outros leitores.
Ao lado de outras modalidades organizativas dos conteúdos de leitura e escrita - como os projetos didáticos e as atividades permanentes essa seqüência pretende contribuir para a valorização da leitura de textos literários de qualidade e o desenvolvimento do gosto pessoal do leitor. Com a sua realização, as crianças serão colocadas, desde o início da escolaridade, no lugar de leitores que interagem e pensam sobre a linguagem que se escreve, tendo o professor como um modelo de leitor que os auxiliará nessa conquista.
A escolha do conto Chapeuzinho Vermelho
Chapeuzinho Vermelho é uma das narrativas de referência entre os clássicos infantis. De tradição oral, foi publicada pela primeira vez no ano de 1697, pelo escritor francês Charles Perrault. Desde então, o conto é apresentado em diferentes versões, traduções e adaptações, que têm marcado a infância das crianças nos mais diferentes países e épocas. Uma das versões mais conhecidas e traduzidas, inclusive para o português, foi escrita em 1812 pelos Irmãos Grimm.
Nesta seqüência de atividades, as crianças serão convidadas a comparar três diferentes versões do conto, que serão lidas pelo professor dentro de um intervalo de tempo. A escolha das três tem como critério a garantia da qualidade literária. Dentre elas, estão duas das principais: de Grimm e Perrault.
Essa seleção visa garantir a comparação entre as tramas e a análise dos recursos lingüísticos utilizados pelos autores. A comparação de versões de um mesmo texto consiste em uma prática usual do leitor. Ela permite estabelecer critérios de escolha de uma leitura e realizar indicações literárias. Neste trabalho, as comparações serão inicialmente coordenadas pelo professor, que fará intervenções para os alunos atentarem para outros aspectos da obra além dos que normalmente levam em conta. O professor também irá destacar recursos lingüísticos utilizados pelo autor, tradutor ou adaptação.
A leitura pelo professor
Quando o professor lê para as crianças, mostra-lhes seu próprio comportamento leitor e contribui para que se familiarizem com o universo letrado. Por isso, é fundamental que ele prepare sua leitura ensaiando em voz alta, planejando intervenções para fazer antes, durante ou depois da leitura, antecipando a organização do espaço e a disposição das crianças, e, ainda, determinando o momento estratégico em que interromperá a leitura (para continuar num momento seguinte).
Ao trazer um material para ler para a classe, o professor também cuida da apresentação adequada do livro, oferece informações que servem para contextualizar a obra e despertar o interesse em conhecê-la e justifica a escolha feita. O texto oral não dá tudo pronto para o ouvinte (ou leitor) pelo menos um bom texto. Por isso o ouvinte adquire uma função ativa na narração: ele tem que ir preenchendo os vazios que a narração vai deixando. (SISTO, 2001, p. 125)
Durante a leitura, ao fazer uma interrupção, o professor pode retomar os fatos anteriores para que as crianças não percam a seqüência narrativa. Pode-se solicitar a elas que procurem se lembrar dos últimos acontecimentos e os relatem de forma organizada. Cada uma conta aos colegas sua lembrança e, assim, o grupo vai reconstruindo a narrativa que acabou de conhecer. O professor ajuda, recontando passagens. Quando surgirem dúvidas sobre algum episódio, pode-se recorrer ao livro para esclarecê-las por meio da leitura do trecho a que se referem.
O professor compartilha com as crianças seu comportamento leitor (explicitando diferentes aspectos do que faz enquanto lê). Por exemplo, nas duas primeiras versões, dois procedimentos usuais, próprios de leitores experientes, poderão ser destacados: o uso do índice e do marcador de livro, já que os contos selecionados fazem parte de uma coletânea.
É preciso também assegurar um espaço para que a turma se manifeste a respeito do texto lido, dialogue com ele, dando-lhe, coletivamente, um sentido. Isso pode ser feito por meio de uma conversa em que cada ouvinte compartilha com os demais aquilo que desejar: as lembranças; os sentimentos e experiências suscitadas durante a leitura; os trechos mais marcantes; uma característica do texto que tenha reparado; uma dúvida ocorrida; uma hipótese confirmada ou não durante a leitura, etc. O professor se coloca como participante ativo da conversa, compartilhando suas impressões sobre o que leu, sobre relações com outros textos conhecidos pelo grupo ou com outros fatos.
Ao ouvir as opiniões das crianças, o professor possivelmente irá deparar com diferentes interpretações do que foi lido. Isso deve ser respeitado, porque, nesse caso, não há respostas corretas ou incorretas. Como todos os textos literários, a história de Chapeuzinho Vermelho permite ao leitor criar algumas interpretações enquanto lê. Nessas conversas com as crianças, o professor pode ter como foco aspectos retórico do texto.
Prestando atenção neles, o grupo poderá perceber que, por meio da forma pela qual os acontecimentos são narrados, o autor direciona a interpretação sobre determinadas passagens. Por exemplo: pode-se perguntar às crianças se elas acham que o lobo está tentando enganar Chapeuzinho, e chamar a atenção para a forma como o autor descreve suas falas e intenções.
É importante salientar que mesmo que o conto trate de questões ligadas à moralidade, não é aconselhável utilizar sua leitura como um pretexto para oferecer às crianças lições de moral, nem tampouco para impor a opinião do professor sobre, por exemplo, as atitudes da personagem principal.
O foco desta atividade é voltar-se para o texto em si, para que as crianças possam se aproximar da linguagem escrita e desenvolvam comportamentos de leitor.
A professora está trabalhando esse projeto de comparação das diferentes versões da história de Chapeuzinho Vermelho desde o início do mês de março, e ele terá duração de dois meses.
Hoje ela lerá a segunda versão da história de Charles Perrault. As histórias escritas pelos irmãos Grimm defendem valores como a bondade, o trabalho e a
verdade. Em seus contos, as pessoas bondosas são premiadas e as maldosas são castigadas. Nesse sentido Bettelheim afirma que:
Os contos aliviam as pressões exercidas por esses problemas, favorecem a recuperação incutindo coragem, ânimo a criança, encorajando-a na luta por valores amadurecidos e a uma crença positiva na vida. Auxiliar uma criança a crescer, jamais quis dizer preservá-la de qualquer choque, nem pô-la ao abrigo de tal forma do real, mesmo que o real seja elaborado pelo espírito humano.. (BETTELHEIN. P.62. 2000)
Nem sempre isso ocorre na vida real, mas, na literatura destes autores, quem merece sempre ganha um final feliz. Já nesta versão de Charles Perrault, o desfecho da história é um pouco diferente. Chapeuzinho não tem um final feliz, pois acaba devorada pelo lobo, assim como sua avó.
Nesta segunda etapa da seqüência a professora realiza a leitura desta versão. Assim como na primeira etapa, as orientações para o seu encaminhamento são as descritas anteriormente no item "A leitura pelo professor".
Depois de concluída a leitura, ela propôs a comparação entre as duas versões, retomando as características destacadas na análise registrada anteriormente. Nesse momento, também registrar as conclusões das crianças a respeito das características das duas versões, relembrando trechos e chamando a atenção para as semelhanças e diferenças na trama e no texto.
O que acontece no primeiro encontro entre a menina e o lobo numa versão e em outra?
Como é o diálogo entre eles em cada uma das versões?
Vamos comparar as diferentes descrições sobre a localização da casa da vovó?
Vamos ver como os autores descreveram a Chapeuzinho em cada uma das versões?  
Quais são os diferentes acontecimentos que chamam a atenção e distraem Chapeuzinho Vermelho a caminho da casa de sua avó?
As recomendações da mãe no início da história são diferentes nas duas versões?
Que fim levou o lobo nas duas versões?
Para finalizar entregou aos alunos uma folha para que pudessem registrar em forma de desenho a história de Charles Perrault e depois expôs ao mural.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BATISTA, Rosa. A rotina no dia-a-dia da creche: entre o proposto e o vivido. Trabalho apresentado na reunião anual da ANPEd, em outubro/2001.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado, 1988.

AUSUBEL, D.; NOVAK, J.; HANESIAN,H. Psicologia educativa: um punto de vista cogniscitivo. México:Trillas, 1983.

BAKHTIN M. Estética da criação verbal. São Paulo, Martins Fontes, 1992 – 1a edição.
BETTELHEIM, Bruno. A Psicanálise dos contos de fadas. 14ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2000.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado, 1988.

BRASIL. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Referenciais Curriculares Nacionais para
Educação Infantil. Secretaria de Educação Básica, 1997, vol. 1, 2 e 3.

COELHO, B. Contar Histórias: uma arte sem idade. São Paulo: Ática, 2001.
LISBOA, Antônio Márcio Junqueira. O seu filho no dia-a-dia: dicas de um pediatra experiente. Vol. 3. Brasília: Linha Gráfica, 1998.
LUDKE, M. & ANDRÉ, M. E. D. A. Pesquisa em Educação: abordagens qualitativas. São Paulo: EPU, 1986.
PIAGET, Jean. A formação do símbolo na criança. Imitação, jogo, sonho, imagem e representação. Trad. Álvaro Cabral et al. 3. ed. Rio de Janeiro; Editora Guanabara, 1978. 
SISTO, Celso. Textos e pretextos sobre a arte de contar histórias. Chapecó: Argos, 2001.
 WALLON, Henri. Do ato ao pensamento. Porto Alegre: Artes Médicas, 1947.

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